Dois Anos de Casa Franciscana

A Casa Franciscana foi criada em 2020, no Cambuci, como uma das estratégias do SEFRAS para atender às emergências sociais que surgiram com a pandemia de COVID-19. Nesse período, diversas pessoas de comunidades de alta vulnerabilidade perderam os trabalho informais e pequenos bicos que mantinham, e sem dinheiro para manter suas residências e se alimentar, famílias inteiras foram obrigadas a ocupar as ruas.

Ainda agravando esse cenário, muitas organizações que prestavam assistência e distribuiam alimentos para essa população na região deixaram de atender ao centro de São Paulo, gerando aumento da fome para aqueles que se encontravam em tal situação. Não apenas o Cambuci, mas bairros do centro velho de São Paulo (como Liberdade e Sé, que também são atendidos pela casa) foram altamente afetados durante a pandemia.

Frente a tal realidade, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo, o SEFRAS inaugurou no dia 3 de abril de 2020 a Casa Franciscana: serviço de emergência, criado como núcleo de convivência para a população de rua, no bairro do Glicério. Foi criada contando com amplo espaço para evitar aglomerações e seguindo todas as exigências estabelecidas pelos órgãos de vigilância sanitária, como: medição de temperatura, higienização e uso de álcool em gel), atuando com responsabilidade e qualidade para a segurança tanto dos trabalhadores quanto dos participantes.

A princípio sua estimativa de funcionamento era de 6 meses. Porém, com o agravamento do cenário descrito acima, fez-se necessário manter o serviço por mais tempo, assim no último domingo a Casa completou 2 anos.

Durante todo esse período, atuou atendendo a população do bairro do Cambuci, Liberdade, Sé e todos os entornos, fornecendo um local de acolhimento e tratamento humanizado. Com as consequências do avanço da pandemia, o cenário que já era de extrema vulnerabilidade e marginalização expandiu e passou a afetar uma maior gama de grupos sociais. De acordo com a coordenadora do serviço, Priscila Ramos, esse cenário causou mudanças no perfil das pessoas que buscam atendimento: “o número de famílias, crianças, população LGBTQIA+ aumentou visivelmente”, afirma, “pois considerando as questões de desemprego, essas pessoas não conseguem mais arcar com as custas dos aluguéis, e acabam ficando em situação de rua”.

Com isso, a ação da Casa Franciscana se faz ainda mais necessária, pois além de oferecer alimentação, espaço de convivência e atendimento social, ainda promove o desenvolvimento do protagonismo e autonomia dos participantes por meio de reflexão crítica sobre a sociedade. Para Priscila, este representa a essência da casa. “Acredito que celebrar dois anos da Casa Franciscana é celebrar momentos de vivência coletiva, com muita humanidade, afetividade, defesa de direitos e possibilidades de construção, junto das pessoas que todos os dias buscam meios de resistir e criar alternativas para uma vida digna”.

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