Campanha ‘SER Franciscano’ quer transformar valores em atitudes

Impactos de longo prazo trazidos pela pandemia promovem chamado franciscano para lutar contra a fome e a violação de direitos da população mais pobre.  

Out 2021 – Fome, desemprego, exclusão, miséria e violência cresceram exponencialmente durante a pandemia para os públicos vulneráveis atendidos pelo Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS), nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. São idosos, crianças de comunidades pobres, imigrantes, população em situação de rua e pessoas acometidas pela hanseníase que sofrem todos os dias sem expectativa de mudança e, muitos, sem sequer o que comer.

Esse dia a dia de trabalho social franciscano, que desde março de 2020 duplicou seu público de atendimento, levou o SEFRAS a lançar a campanha ‘SER Franciscano’.

“A ideia da campanha é mostrar que podemos ter atitudes guiadas pelo amor, fraternidade, diálogo, bem comum, justiça, responsabilidade e simplicidade. Todos estes, valores franciscanos ensinados por São Francisco e pelo Papa Francisco, que nos inspiram a cuidar de quem mais precisa”, afirma o Frei José Francisco, diretor-presidente do SEFRAS.

Atualmente, a organização atende diariamente 4 mil pessoas, em diferentes unidades presentes em 14 territórios. Em todos eles, os impactos de longo prazo da pandemia se mostram dramáticos. Ao trabalhar com públicos já vulneráveis antes da COVID-19, hoje, se percebe que a situação piorou muito. “As filas da fome nos nossos serviços só aumentam. É também uma pandemia da fome”.

A campanha foi lançada 04 de outubro, dia de São Francisco, em sua homenagem. 

Campanha
A campanha retoma as atitudes franciscanas de ‘Acolher, Cuidar e Defender a Vida’, considerando que todos somos co-responsáveis pelo processo de mudança. “É uma campanha para dar esperança a todos neste pós pandemia, se é que já podemos chamar assim. São pessoas que vivem torturadas pela fome e pobreza extrema que precisam de um pouco de oportunidades para mudar”, afirma o gestor de Desenvolvimento Institucional do serviço franciscano, Rodrigo Zavala. 

Ele recorda a Oração e São Francisco como base para a campanha. “Onde houver Desespero, que eu leve aEsperança. Onde houver Ódio, que eu leve o Amor. São versos fortes que inspiram as pessoas a fazer o bem, não importa a religião. É isso que promovemos. Somos uma ponte entre aqueles que desejam fazer o bem e quem precisa de um pouco de solidariedade para se reerguer”.   

A campanha irá disponibilizar informações sobre os públicos, como contribuir para a autonomia deles, mas também com ações de incidência para que políticas públicas sejam implementadas para combater os ciclos de miséria, violência e exclusão nos quais estão inseridos. “O nosso objetivo é que a campanha seja permanente e foque sempre em soluções. São atitudes que transformam”.

Pandemia
O SEFRAS cresceu desde 2020. Para além da readequação dos serviços permanentes prestados pela organização há mais de 20 anos, a pandemia exigiu dos franciscanos um trabalho social de emergência, que triplicou o número de atendimentos. Um aumento impulsionado pelas filas da fome que se multiplicaram ao redor das casas do SEFRAS.

Como organização franciscana humanitária, deu início em 2020 ao seu primeiro programa de resposta à emergência, o “Ação e Solidariedade Franciscana”. Baseado no Plano de Enfrentamento à Covid-19, criou estratégias para soluções imediatas a problemas urgentes a partir dos serviços do SEFRAS. 

“Jamais fecharemos nossas portas para quem precisa”. A frase ressoou como um mantra nos espaços da organização, engajando trabalhadores, voluntários, parceiros, doadores, gestores públicos e outras organizações sociais a se unirem aos franciscanos na defesa dos mais vulneráveis aos impactos da pandemia.

Isso significou, desde início, combater a fome. Já no primeiro dia de isolamento em março, 1200 pessoas se aglomeraram na porta de nosso serviço de atendimento à população de rua, o Chá do Padre, em busca de um prato de comida. “Era dia 23 de março de 2020. Até hoje, outubro de 2021, essa cena se repete todos os dias”, afirma o frei.     

Além das refeições diárias oferecidas para os atendidos em todos os serviços SEFRAS (4300, em média), são também distribuídas quase 2 mil cestas básicas para famílias. “A campanha quer mostrar que eles precisam mais do que marmitas e cestas básicas. Podemos juntos oferecer um recomeço”, defende Zavala.   
Ações Contra a Fome em números: 

  • 1.8 milhão de refeições franciscanas 
  • 48 mil cestas básicas 
  • 2 mil toneladas de alimentos doados 
  • 4.300 pessoas atendidas todos os dias 
  • 5 cozinhas sociais 
  • 670 voluntários 

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